MODERAÇÃO NA ALEGRIA E NA TRISTEZA

 


Moderação na alegria e na tristeza

Cena 1: Uma gata observa feliz seus três gatinhos que brincam despreocupados no tapete da casa.

Cena 2: Um cãozinho traz na boca sua guia e, abanando o rabinho, convida seu dono para passear no parque. Lá fora ele segue à frente urinando feliz em cada moita que encontra.

Cena 3: Uma criança brinca feliz em seu quarto com seus blocos de construção com a vovó, que lhe alcança as peças na ordem certa enquanto canta uma melodiosa canção infantil.

Podemos afirmar que todas essas cenas são de criaturas em absoluta paz e felicidade.  Mas o que podemos notar também, é que crianças e animais não têm as mesmas necessidades que os humanos adultos têm de demonstrar aos outros que estão felizes. Eles simplesmente curtem seus momentos sem necessidade de manifestar isso publicamente.

Cena 4: em uma padaria, que abriu suas portas às 6 hs da manhã, as balconistas, ainda sonolentas, estão atendendo aos primeiros clientes que chegam, sem demonstrar muito entusiasmo naquela hora da manhã.

Nesse momento adentra no estabelecimento uma senhora, visivelmente alegre, cumprimentando a todos com um sonoro e melodioso bom dia, enaltecendo com muito entusiasmo os motivos de seu dia ser tão maravilhoso. Ela tenta puxar conversa com alguns clientes, mas não há reciprocidade naquela hora da manhã, onde tudo o que as pessoas querem é comprar seus pães e ir embora sem muita conversa.

Logo que ela saiu, uma das balconistas disse em um tom sarcástico:

‒ Odeio gente feliz!

Algumas pessoas a censuraram com o olhar, e outras, assim como eu, gostaram o desabafo da moça, por compreender que não era só "inveja" de alguém que teve de acordar de madrugada para enfrentar uma longa jornada de trabalho, mas de uma crítica ao fato de que as pessoas precisam perceber se o outro está minimamente interessado no que você têm a dizer, e isso inclui seus estados emocionais, sejam eles de alegria ou tristeza. 

Ninguém espera receber alguém bem humorado em um velório. Tampouco é adequado comemorar seu sucesso profissional e financeiro para alguém que está triste por ter perdido o emprego e esteja com sérios problemas financeiros. 

Um amigo, que trabalhava em um hospital, me disse certa vez que "deveria existir curso para doente, pois há pessoas que não sabem se comportar na doença e incomodam os parentes, os médicos e enfermeiras com seus infortúnios e reclamações,  como se todo mundo precisasse sofrer junto com ela por sua desgraça. Por outro lado, têm outros pacientes que até para gemer o fazem baixinhos, resignados em sua dor", dizia ele

A manifestação de estados emocionais deve ser usada com parcimônia como se fosse uma roupa adequada para cada ocasião.

Ninguém precisa saber que você está triste demais nem feliz demais.

Se estiver triste sorria um pouco para esconder sua tristeza e se estiver muito feliz sorria um pouco também, mas proporcional e adequado a cada situação. 

Autor Flavio Goulart Rodrigues

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Leia o livro "EU SOU VOCÊ... e o mundo é um espelho que nos reflete" (do mesmo autor)

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