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Mostrando postagens de dezembro, 2024

Mensagem natalinas

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Houve um tempo lá pelos anos 1950/60 em que se precisava caminhar até a casa de alguém para lhe desejar feliz Natal e Próspero Ano Novo.  Tinha até grupo de pessoas que saíam cantando em coro com canções natalinas  na frente das casas dos amigos. Depois inventaram os cartões com mensagens natalinas que se enviavam pelo correio. A gente recebia cartão das lojas Incosul, Hermes Macedo, Mesbla, Arapuã... e também de parentes e amigos. E pendurava tudo no pinheirinho que ficava coberto de cartões.  Então, popularizaram o telefone, e as pessoas ligavam umas para as outras no Natal e Réveillon, e as linhas telefônicas ficavam todas congestionadas à meia noite. A gente ficava ligando e atendendo ligação entre uma garfada e outra no arroz a Grega e o peito de peru (uma loucura). Nos anos noventa os torpedos SMS deixaram essa tarefa bem mais fácil. Bastava escrever um texto e enviar para todos os contatos numa vez só (e Papum...) e podíamos nos concentrar melhor no Cus...

NADA NEM NINGUEM ESPECIAL

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Você sabe que uma coisa é especial quando, para você, ela se difere das demais, o que a torna única.  No livro “O Pequeno Príncipe”, ele tinha uma rosa dengosa e vaidosa que se dizia ser a única de sua espécie. Mas um dia o Pequeno Príncipe encontrou um jardim com centenas de rosas iguais à sua e soube, então, que ela não era única, pois havia milhares de outras iguais a ela.  No entanto, o pequeno príncipe encontra a raposa que lhe ensina que a verdadeira amizade cria laços afetivos que tornam as pessoas únicas e inigualáveis entre as demais, e ele soube, então, que sua rosa era diferente de todas as outras rosas, pois foi ela que ele cuidou e regou e, por isso, ele poderia a reconhecer no meio de milhares de outras rosas. Existe uma crença milenar de que nós somos especiais para Deus e que Ele nos ama diferente de todas as outras pessoas, mas essa crença não faz o mesmo sentido que o texto poético narrado por Antoine de Saint-Exupéry em seu livro, pois, assim com...

O BEBEZÃO

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O bebezão Foi na hora do jantar que ele aproveitou para dar a notícia de que iria sair de casa. -  Mas onde você vai morar meu filho? - quis saber a mãe aflita. -  Vou alugar uma kitnet e morar sozinho. -  Você tem idéia de como cuidar de um bebê? - Perguntou o pai gesticulando com o garfo na direção do filho, enquanto terminava de mastigar. -  Bebê? Que bebê? Não vou cuidar de nenhum bebê…  O pai terminou de engolir, e ainda apontando com o garfo respondeu: -  Cuidar de você mesmo é como cuidar de um bebê… -  Você está me chamando de bebê? Acha que não sou homem o bastante para cuidar de mim mesmo? O pai pegou um copo de suco, tomou um gole, secou a boca com um guardanapo e respondeu: -  Cuidar de nós mesmo sem depender de ninguém é como cuidar de um bebê: precisamos ter cuidado com o que ele come, zelar pela limpeza e organização do espaço onde ele dorme, onde descansa, e suprir todas as suas necessidades. Precisamos ainda nos preocupar com a sa...

Estrelas no Lago

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  ESTRELAS NO LAGO   Uma vez por mês o Seu Costa fazia “Rancho” no armazém do Seu Bido.  Ele morava longe de qualquer outro comércio e chegava montado em um motociclo grande e preto que provocava admiração e curiosidade nos filhos do comerciante. Mais tarde seu Bido atrelava o cavalo à carroça para entregar as compras na distante casa do Seu Costa. Ele sempre levava os meninos juntos e isto era, para os pequenos, um presente que não trocariam por nada. O trajeto cruzava por campos e várzeas, porteiras e pontilhões improvisados. A carroça puxada pelo animal em seu trote lento deslizava por uma pequena e sinuosa estradinha de chão batido, ao lado de um pequeno lago de águas límpidas com gramas nas bordas. O menino sentado no banco ao lado de seu pai, olhava muito atento para o lago, curioso com milhares de pequenas estrelas que pipocavam na superfície e ofuscavam seus olhos. Curioso o lhou para o pai e perguntou, apontando para o lago: – O que é aquilo? – Aquilo o que? – Pe...

UM ILUSTRE VISITANTE

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Um ilustre visitante Você sabe o que uma pessoa sente por você pela forma como ela trata os outros. Se ela trata alguém melhor do que trata você, é porque não lhe tem a mesma estima e consideração. Então, da mesma forma, se você trata com apreço e gentileza quem quer que seja, melhor do que você se trata ou do que exige ser tratado, você está sendo injusto consigo mesmo. Imagine que a pessoa que você considera mais importante nesse mundo venha morar com você; uma pessoa que você tenha uma grande estima e admiração. Se você for cristão, pode imaginar que essa pessoa seja o próprio Jesus em pessoa batendo à sua porta; ou Buda se for um budista; ou uma pessoa de muita erudição e sabedoria que você tenha respeito e admiração. Alguém que você jamais questionaria ou duvidaria de qualquer coisa que ela dissesse ou se dispusesse a fazer. De tal forma que se ela lhe convidasse para fazer algo você sempre ficaria feliz e estaria disposto a fazê-lo pelo simples fato de que está na pre...

A INEXISTÊNCIA DO SOM

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  A INEXISTÊNCIA DO SOM Algumas correntes budistas fazem uso do Koan, que é uma pergunta ambígua com uma resposta ou solução  incompreensível e que, por essa razão, pode ajudar a manter a mente focada enquanto busca uma solução. Um Koan bastante conhecido diz o seguinte: “Qual o som que uma árvore produz ao cair em uma floresta, se não tiver ninguém presente para ouvir?” . Sempre me intriguei com essa pergunta, que me parecia sem sentido, pois para mim não havia nenhuma dúvida quanto à resposta: "O som deveria ser o mesmo, independentemente de ter ou não alguém ouvindo". Isso me parecia tão óbvio que não conseguia refletir sobre outra possibilidade. Passados alguns anos, e depois de encontrar essa pergunta em algumas outras fontes, passei a levar mais a sério o questionamento e a me indagar se haveria uma resposta diferente daquilo que nos parece óbvio. E, num dado momento, achei uma resposta: A princípio, a ciência nos diz que: “o som é o resultado de uma ...

Tempos modernos

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  É muito legal entrar em uma fábrica e ver os processos industriais com operários bem treinados desempenhando, ritualisticamente, suas funções em processos cada vez mais aprimorados e eficientes. Ver isso uma vez em uma visita dirigida com um guia em uma fábrica  é realmente muito interessante e empolgante. Agora imagine aquele mesmo operário que  passa oito horas por dia durante o ano todo fazendo exatamente essa mesma tarefa... podemos facilmente concluir que é uma atividade entediante, desgastante e de certo modo desumana, não?  Charles Chaplin em seu filme “Tempos modernos” interpreta um operário em uma linha de montagem numa fábrica. O filme é uma crítica social incisiva ao trabalho alienante, mostrando os efeitos negativos em trabalhadores expostos a uma longa jornada de trabalho  executando tarefas como se fossem máquinas? Outro dia me dirigi ao caixa de uma grande loja onde havia vários check-outs com várias moças que faziam as cobranças dos...

DESCULPAS EM TRÊS NÍVEIS

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Na série de televisão " Todo Mundo Odeia o Chris" , numa conversa com seu pai, Chris (Tyler J. Williams) lamenta estar sentindo-se mal por ter ofendido uma garota. Seu pai então lhe diz que ele deve ir até a garota e lhe pedir desculpas. — Mas peça desculpas nos três níveis — reforça Julius (Terry Crews) — E como é isso? — perguntou Chris. — Primeiro, você pede desculpas pura e simplesmente. Depois, você admite que estava errado. E, terceiro, você deve deixar claro que isso não vai acontecer de novo. Resumindo: “Me desculpe por minha ofensa… meu comportamento foi inadequado… isso não vai mais acontecer” (e se comprometer a isso, é claro!). A formalidade pode ser um recurso bastante valioso nesses momentos e uma demonstração civilizada e inteligente de agir quando estamos embaraçados e não sabemos muito bem como nos comportar. Nesses casos, os protocolos e formalidades nos tiram de situações embaraçosas quando não sabemos muito bem o que dizer, e um simples pedido ...