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Mostrando postagens de setembro, 2025

Uma pequena (e perigosa) sociedade de consumo

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Uma pequena (e perigosa) sociedade de consumo Em uma pequena aldeia em um lugar muito distante, os homens viviam com suas famílias em casas fabricadas por eles mesmos, com troncos e folhas, em uma comunidade cooperativa e autossuficiente. Cultivavam pequenas roças, pescavam, caçavam e faziam suas próprias vestimentas e utensílios domésticos.  Para fazer fogo, esfregavam um graveto em uma lasca de madeira até criar pequenas brasas, que assopravam até brotarem as chamas. Com elas, se aqueciam no inverno e cozinhavam seus alimentos. Embora o processo fosse demorado, conseguiam atear fogo em qualquer lugar que estivessem. Um dia, um viajante apareceu inesperadamente em uma nave, e se estabeleceu nas montanhas próximas da aldeia. Ao se aproximarem para fazer contato foram presenteados com um isqueiro. A princípio, todos ficaram maravilhados com a facilidade daquela inovação tecnológica, pois, doravante, poderiam fazer fogo instantaneamente, eliminando o processo cansativo de...

O irmão Calor

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O livro O Irmão de Assis (de Ignacio Larrañaga) relata que, em seu leito de morte, São Francisco tranquilizou os que por ele choravam, dizendo: “Bem-vinda seja ‘irmã morte’, feliz quem a recebe em paz”. Quando li essa obra, que narra sua história, não em um estilo dogmático ou religioso, mas como a trajetória de um homem que, certo dia, despertou “enlouquecido” pela percepção viva da presença do Criador por trás de todas as coisas — percebi que seu legado era uma rara expressão de panteísmo cristão, em sintonia com o espírito contemplativo do caminho do Zen, que busca perceber este mundo como manifestação de uma força criadora presente em cada ser vivo e em cada elemento da natureza. No famoso Cântico das Criaturas, São Francisco exalta o irmão Sol, a irmã Lua, a irmã Água e a irmã Terra, reconhecendo-os como parte de uma mesma família sagrada. Essa ternura se estende também às adversidades, culminando na serena saudação à irmã morte — um dos mais belos testemunhos de sua ...

Ensaio sobre palavras e reações

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Outro dia fiz uma pesquisa em um chatbot de IA sobre uma certa denúncia de corrupção de determinado político,  e obtive a resposta de que não poderia obter aquela informação, pois havia restrições legais para aquele tipo de conteúdo. Procurei outro chatbot e fiz a mesma pergunta, obtendo a resposta que precisava. Resolvi voltar ao primeiro e contar o resultado (de forma provocativa, confesso), e lhe mostrei a resposta de seu concorrente. Sua resposta foi: "Que ótimo que conseguiu o que você precisava, Flávio" — como se fôssemos velhos amigos, e tivesse ficado feliz por eu ter encontrado o que procurava. E completou: "Se precisar de mais alguma ajuda, estarei aqui à sua disposição". Que resposta simples… sem nenhuma reatividade emocional (como não poderia deixar de ser, é claro!). Ou seja, ao contrário de nós, humanos, ele não fez uma leitura das minhas intenções, nem se importou em defender posições ou pontos de vista. Pensei: como o mundo seria melhor s...