Impermanência em Corpus Christis
No filme O Pequeno Buda, os monges fazem uma figura de mandala meticulosamente construída no chão do mosteiro com areias coloridas. Eles faziam isso enquanto aguardavam o retorno do Lama abade que viajara em missão de encontrar a reencarnação do Lama Dorje (um lendário Lama falecido e supostamente reencarnado em um menino de 10 anos). Quando o lama e sua comitiva retornaram, eles destruíram o fabuloso trabalho, artisticamente e zelosamente construído.
Com esse ato, eles ilustram, de forma simbólica, a impermanência das coisas deste mundo, demonstrando que tudo segue o ciclo de nascimento, crescimento, consumação, aniquilação e morte.
No cristianismo católico, há uma liturgia semelhante a isso na comemoração do dia de Corpus Christi, quando os devotos constroem tapetes artisticamente elaborados com areias, borras de café e serragens coloridas nas ruas por onde passará o cortejo. Ao serem pisoteados e destruídos pela passagem do sacerdote e os fiéis, que passam por cima dos tapetes em procissão, a mensagem, tanto da doutrina budista quanto da liturgia católica na procissão de Corpus Christi, nos revela a mesma mensagem: que estamos em uma senda em direção ao despertar da consciência e, portanto, de nada nos adianta nos apegarmos demasiadamente a esse mundo (“...como o cão do peregrino que enterra ossos enquanto viaja à Terra Santa”).
A mensagem é clara e está em todo lugar: “Viver plenamente neste mundo, mas não se identificar com ele” (Joel Goldsmith).
Texto extraído do livro: "Eu sou você"
Autor: Flavio Goulart Rodrigues
Editora Viseu
