Nau (metáfora de uma vida)
Se casaram a bordo
e singraram mar afora.
Nasceram os filhos
que cresceram
e desembarcaram
em portos pelo caminho.
Escolhas erradas
levaram mais e mais
o velho capitão
a encalhar em águas rasas
pouco fecundas e sem ventos.
Durante longos anos
Ficaram ali
só os dois naquele navio
que sempre fora
sua casa e suas vidas
na esperança que um dia
o vento soprasse
na direção certa
A mulher com o tempo
foi se aborrecendo
e numa ensolarada
e tediosa manhã
abandonou o navio.
Ele ficou no tombadilho
olhando-a
enquanto ela se afastava
até desaparecer no horizonte
num pequeno e frágil escaler.
Depois ele tornou
a olhar para as velas
que jaziam inertes
e pensou
se um dia
o vento voltar a soprar
ele voltaria de novo a navegar.
Autor - Flavio Goulart Rodrigues