Nau (metáfora de uma vida)

 Barcos de Porto Seguro: Desenhos Realistas por Carlos Damasceno

Se casaram a bordo

e singraram mar afora. 

Nasceram os filhos

que cresceram 

e desembarcaram

em portos pelo caminho.


Escolhas erradas 

levaram mais e mais

o velho capitão 

 a encalhar em águas rasas 

pouco fecundas e sem ventos.


Durante longos anos 

Ficaram ali 

só os dois naquele navio

que sempre fora 

sua casa e suas vidas 

na esperança que um dia 

o vento soprasse 

na direção certa 


A mulher com o tempo 

foi se aborrecendo  

e numa ensolarada 

e tediosa manhã

abandonou o navio.


Ele ficou no tombadilho 

olhando-a

enquanto ela se afastava 

até desaparecer no horizonte

num pequeno e frágil escaler.


Depois ele tornou 

a olhar para as velas 

que jaziam inertes 

e pensou

se um dia 

o vento voltar a soprar

ele voltaria de novo a navegar. 


Autor - Flavio Goulart Rodrigues


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