O perdão

 




Era o filho caçula, o que mais chorava, reservado a um canto, longe do caixão de seu pai e de seus irmãos que murmuravam entre si:

– Agora chora... Quando papai estava doente nunca veio lhe fazer uma visita – Dizia um dos irmãos.

– Ingrato... e o velho, coitado, sempre perguntava por ele – dizia outro.

Foi sua esposa que, aproximando-se do grupo, disse-lhes:

– Ele sofria muito pelo pai. E chorava ao saber que piorava.

– E por que não veio visitar o velho? Perguntaram os irmãos.

– Porque ele amava muito o pai, e não suportava vê-lo sofrer.

Um dos irmãos pôs-se a chorar, e em lágrimas disse:

– Eu também não suportava vê-lo sofrer, mas fiquei ao seu lado até seus últimos dias.

Os outros irmãos completaram:

– Isto é que é prova de amor!

A esposa, segurando gentilmente o braço do cunhado, falou com carinho:

– Isto é prova, de que você tem mais coragem que ele.

Na hora do enterro quando o caixão descia a cova, estavam todos abraçados ao irmão caçula que chorava desconsolado.

 

Autor - Flavio Goulart Rodrigues

 


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