Meditação Zen
... Como um gato repousando na almofada…simplesmente sentamos e observamos enquanto aguardamos... e o que aguardamos? Nada! Tudo já está pronto e só precisamos ficar quietos e nos dar conta disso...
A meditação Zen, é um exercício que se propõe a romper com essa bolha de ilusão, onde vivemos desejando tudo o tempo todo, mas com a eterna busca de algo que nos complete. A prática do Zazen requer que fiquemos sentados imóveis, de olhos abertos e conscientes de nossa própria presença.
Meditar é antes de tudo a arte de desconstruir nossa obsessão por desejar algo e isso inclui a sensação de que estamos em busca de algum resultado através da meditando. Meditar, então, é sentar e olhar para o nada que estamos fazendo.
... o que precisamos fazer em seguida é parar por alguns momentos de querer ter controle de nossos pensamentos (ou da ausência deles) e apenas observar o conteúdo daquele momento sem expectativa nenhuma.
Isso se torna um paradoxo no momento em que, se nos sentamos para alcançar um estado de ausência de desejos e expectativas, já estamos desejando algo ao pararmos para atingir esse objetivo. Por isso, algumas pessoas podem meditar durante anos sem nunca ter a verdadeira compreensão do que é a meditação. Porque estão sempre em busca de alguma coisa que já não conseguem mais encontrar nas coisas que a vida lhes oferece todos os dias. Logo, essa busca “espiritual” passa a ser só mais um outro desejo sofisticado, e a meditação, nesse caso, perde o seu sentido prático e passa a ser outro apego do ego e um desejo de consumo.
Enquanto não nos livrarmos desse desejo de possuir, não podemos prosseguir. Nossa mente é um servo obediente que criamos e desenvolvemos e que está programado para nos dizer tudo o que queremos ouvir. Se queremos meditar, ele, obediente, pode simplesmente fingir para nos dar a satisfação que queremos de estar meditando. E nos perdemos de novo em outro labirinto de abstrações mentais.
Quando estamos no campo a cavalo e não sabemos o caminho de volta para casa, o que podemos fazer é soltar as rédeas e deixar que o animal nos conduza. É mais ou menos isso o que precisamos fazer… parar de querer ter o controle da meditação e deixar que nossa natureza, que sabe o caminho, nos conduza de volta de onde viemos... sem esforço!
Um monge me disse certa vez, quando tentava me ensinar a meditar, que a meditação é como percorrer um longo corredor cheio de portas trancadas. Só que ninguém poderia me dizer exatamente qual porta abre com qual chave. A única pessoa que poderia descobrir isso seria eu mesmo. Logo, ele me falar das percepções de suas próprias experiências pessoais muito pouco ou nada me ajudaria. O máximo que ele poderia fazer era me indicar a “direção do corredor” (ou do que ele acreditava ser a direção certa para ele).
Meditei durante muito tempo sem conseguir resultado nenhum, além de me preocupar quanto tempo faltava para terminar aquela prática. Um dia me sentei diante de um pequeno altar em minha casa para meditar como fazia quase todos os dias, mas depois de alguns minutos me sobreveio um sentimento de frustração e desapontamento pela ausência de resultado prático. Resolvi então desistir e abandonar, naquele momento, aquela prática sem sentido. Mas antes de me levantar fiquei alguns momentos ali sentado olhando a chama bruxuleante da vela, e a fumaça do incenso se contorcendo e se desvanecendo no ar. Foi quando percebi que eu estava meditando pela primeira vez. Eu tinha encontrado a porta certa naquele longo corredor, e quase não me dei conta. E isso só aconteceu porque abandonei por alguns momentos o desejo por uma senda espiritual e olhei para o mundo através daquela pequena janela. A “porta de entrada” foi a simplicidade de olhar sem expectativa o que estava bem diante do meu nariz o tempo todo enquanto eu procurava alhures.
Texto extraído e adaptado do livro: EU SOU VOCÊ
Autor: Flavio Goulart Rodrigues
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