VIRTUOSIDADE

 



VIRTUOSIDADE

Quando caminhamos pelas ruas da cidade, ou passeamos em algum parque, ouvimos o tempo todo pedaços de conversas desconexas das pessoas que passam por nós. Não dá para saber exatamente do que falam pois é um momento de curto espaço de tempo, mas há uma coisa em comum em todas essas conversas: A grande maioria estão criticando e reclamando de algo ou de alguém.

A impressão que se tem é que todo mundo tem uma extensa lista de pessoas e coisas desagradáveis que merecem desprezo e repudio, e uma pequena lista de coisas e pessoas que gostam e admiram, mas que não carecem de importância nem comentários naquele momento, pois o impulso que nos move são as reclamações, seja lá do que for. 

 Não importa o que tenhamos, sempre teremos bons motivos para reclamar de quase tudo. 

Nos tornamos especialistas em reclamar.

Na década de mil novecentas e cinquenta, meu pai tinha de largar seus afazeres em seu pequeno armazém, ir no campo pegar o cavalo e encilhar o animal na carroça para ir a uma agência bancária no centro da cidade, onde esperava por horas em uma fila para pagar uma conta. Hoje a gente reclama porque precisa fazer uma movimentação bancária no celular e a internet está lenta. (Apesar de que meu pai também reclamava de tudo)

Temos milhares de coisas que causariam inveja e admiração em nossos avós, mas que (ao que parece),  só nos causam aborrecimentos, frustrações e reclamações o tempo todo. 

Nosso cérebro é uma máquina com um padrão de processamento muito eficaz que se reprograma o tempo todo. Essa programação é feita através do que falamos e pensamos, e sempre que reclamamos de algo, estamos afirmando que essa coisa não é boa o suficiente para ser admirada e desejada por nós.

Isso acaba formatando nosso cérebro com uma ideia equivocada de que nada nos completa ou nos satisfaz (Por isso as pessoas sofrem tanto com doenças psicossomáticas).

A busca da felicidade, ou de um estado de paz interior, passa inexoravelmente pela ideia de se buscar a virtuosidade, que segundo Aristóteles seria um meio termo entre o excesso e a deficiência. O que Sidarta Gautama (O Buda) classificou de “O Caminho do Meio”.

Para nos tornar pessoas virtuosas devemos (entre outras coisas) eliminar o hábito de reclamar de coisas, situações e pessoas. Não importa em que grau essa coisa nos tenha causado prejuízos, reclamar não vai reparar o dano ocorrido, mas causa um estrago muito maior em nossa saúde mental e bem estar emocional. 

Quando conseguirmos desenvolver essa habilidade, e nossa boca parar de reclamar, devemos passar para o estágio seguinte: parar de pensar mal de pessoas e situações e, concomitantemente, passar a ser grato por tudo

Não precisamos entender como esse processo funciona. Apenas observamos que quando paramos de reclamar, e depois paramos  de pensar mal, e por fim passamos a ser gratos por tudo, nos tornamos virtuosos e nos sentimos dignos e merecedores de nossa existência feliz.

É como se fôssemos um aparelho receptor de rádio que obtém uma boa sintonia ao eliminar as interferências. 

Não falo mal

Não penso mal 

Sou grato a tudo

... Repita isso o tempo todo e sejafeliz (que no final das contas é só o que interessa)


Autor: Flavio Goulart Rodrigues

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