NADA NEM NINGUEM ESPECIAL
Você sabe que uma coisa é especial quando, para você, ela se difere das demais, o que a torna única.
No livro “O Pequeno Príncipe”, ele tinha uma rosa dengosa e vaidosa que se dizia ser a única de sua espécie. Mas um dia o Pequeno Príncipe encontrou um jardim com centenas de rosas iguais à sua e soube, então, que ela não era única, pois havia milhares de outras iguais a ela.
No entanto, o pequeno príncipe encontra a raposa que lhe ensina que a verdadeira amizade cria laços afetivos que tornam as pessoas únicas e inigualáveis entre as demais, e ele soube, então, que sua rosa era diferente de todas as outras rosas, pois foi ela que ele cuidou e regou e, por isso, ele poderia a reconhecer no meio de milhares de outras rosas.
Existe uma crença milenar de que nós somos especiais para Deus e que Ele nos ama diferente de todas as outras pessoas, mas essa crença não faz o mesmo sentido que o texto poético narrado por Antoine de Saint-Exupéry em seu livro, pois, assim como não nos parece justo que um filho seja o preferido do pai e receba dele mais amor, proteção e benesses que os outros, da mesma forma, um Deus bondoso e justo não poderia tratar uma de suas criaturas de forma especial em detrimento das outras, pois estaria sendo injusto com as demais.
Algumas pessoas podem argumentar inocentemente que Deus considera todos especiais, mas temos de considerar aqui que, quando amamos alguém de forma especial, significa que os demais não recebem amor e atenção na mesma proporção, pois se todos forem especiais, é óbvio que ninguém será especial (seriam todos iguais).
Para o pequeno príncipe não haveria nada de errado nisso, pois esta narrativa trata de uma concepção romântica da moral humana, mas para o Criador isso seria inconcebível e sem sentido.
Voltando a “O Pequeno Príncipe”: depois que ele descobre que sua rosa era especial, ele volta no jardim e diz para as outras rosas: - vocês são belas mas não são como a minha rosa, pois ninguém as cativou ainda, por isso são vazias… e ninguém se importaria com vocês. E as rosas ficaram muito desapontadas (e tristes, certamente).
Da mesma forma, acreditar que deve haver um Deus bondoso protegendo nossa casa e nossa família de forma especial deveria ser considerado uma blasfêmia e uma demonstração da falta de conhecimento da natureza do criador.
Segundo a Cabala (ordem mística do judaísmo): “A Luz do criador está em repouso”. Isso significa que essa luz emana e ilumina equitativamente a todas as criaturas sem distinção nem preferências. O que muda é a forma como cada um compreende e absorve essa luz.
Acreditar que para Deus você não é mais especial do que ninguém ou do que outras criaturas vivas no planeta (isso inclui animais, plantas e insetos), mas ainda assim continuar percebendo a bondade que emana de todas as coisas, é a maior demonstração de fé que podemos demonstrar. E é como se disséssemos em nossos corações: Não espero ser especial, nem desejo obter nenhuma vantagem por acreditar que existe um Deus que criou e sustenta a tudo, só desejo continuar me alegrando em perceber a consciência do Criador que se manifesta o tempo todo em tudo.
Autor: Flávio Goulart Rodrigues
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Leia o livro "EU SOU VOCÊ… (do mesmo autor)
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